ENTREVISTA EXCLUSIVA COM ALMY JUNIOR, SECRETÁRIO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E PESCA

Written by on 11 de maio de 2022

LEVANTAMENTO DA FGV AGRO MOSTRA QUE QUASE METADE DA ÁREA PLANTADA DO ESTADO ESTÁ EM CAMPOS E SÃO FRANCISCO
UM ESTUDO ENCOMENDADO PELA FIRJAN E PELA FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA DO ESTADO (FAERJ) À FGV AGRO, DIAGNOSTICOU O ESTADO ATUAL DO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE – QUE AO LONGO DE 25 ANOS, TEVE A MAIOR REDUÇÃO DE ÁREA PLANTADA DO BRASIL, SENDO QUE CAMPOS E SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA AINDA SE DESTACAM NA CONJUNTURA ESTADUAL. O “DIAGNÓSTICO DO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE”, APRESENTADO NA REUNIÃO DO CONSELHO EMPRESARIAL DE AGRONEGÓCIOS, ALIMENTOS E BEBIDAS DA FIRJAN, É O PRIMEIRO PASSO NA BUSCA POR UM PLANO DE AÇÃO PARA REVITALIZAR AS CADEIAS PRODUTIVAS DO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE, TENDO EM VISTA QUE O RIO É O SEGUNDO MAIOR MERCADO CONSUMIDOR DO BRASIL.

O ESTUDO MOSTRA O ESTADO NA ÚLTIMA COLOCAÇÃO DO PAÍS EM QUANTIDADE DE ÁREA PLANTADA. AO LONGO DE 25 ANOS, DE 1995 A 2020, A QUEDA FOI DE -62,4%, A MAIOR REDUÇÃO DO BRASIL – ENQUANTO A MÉDIA NACIONAL AUMENTOU EM PROPORÇÕES SEMELHANTES (+60,8%) –, O QUE GEROU UMA PERDA DE R$ 1 BILHÃO NO PERÍODO, CONSIDERANDO OS DADOS JÁ DEFLACIONADOS. EM TERMOS DE VALOR REAL DE PRODUÇÃO, O ESTADO ESTÁ NA ANTEPENÚLTIMA COLOCAÇÃO (-32,2%). PARA O CONSELHO DE AGRONEGÓCIO DA FIRJAN, ESTA É UMA AMOSTRA DA URGÊNCIA EM SE RECUPERAR O SETOR, COM UM ENORME POTENCIAL, APÓS DÉCADAS DE FALTA DE INVESTIMENTOS DOS GOVERNOS E DA AUSÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS AO AGRONEGÓCIO E À INDÚSTRIA DE ALIMENTOS.

“ALÉM DO PETRÓLEO E DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS, O AGRONEGÓCIO AINDA É UM MOTOR IMPORTANTE DA ECONOMIA DO NORTE FLUMINENSE, MAS COMO UM GRANDE POTENCIAL DE DESENVOLVIMENTO. E COM A FUTURA ESTRADA DE FERRO 118, QUE VAI CONECTAR O PORTO DO AÇU À MALHA FERROVIÁRIA NACIONAL, PODEREMOS CONTRIBUIR AINDA MAIS PARA O DESENVOLVIMENTO DESTE SETOR NO ESTADO, BARATEANDO FRETES E INSUMOS E, ASSIM, MELHORANDO A COMPETITIVIDADE DOS PRODUTORES DE TODO O ESTADO”, DESTACOU O PRESIDENTE DA FIRJAN NORTE FLUMINENSE, FRANCISCO ROBERTO DE SIQUEIRA.

“ESTE ESTUDO É UM PRIMEIRO PASSO PARA DESENVOLVERMOS PROPOSTAS CONCRETAS QUE REVITALIZEM O AGRONEGÓCIO FLUMINENSE. COMPROVAMOS O QUANTO O SETOR ENCOLHEU NAS ÚLTIMAS DÉCADAS, E NOSSO DESAFIO PASSA, POR EXEMPLO, NA REVISÃO DE QUESTÕES TRIBUTÁRIAS. MAS TEMOS UM ENORME POTENCIAL A SER EXPLORADO, E ISSO SIGNIFICA NOVAS OPORTUNIDADES E UMA MAIOR DIVERSIFICAÇÃO DA ECONOMIA FLUMINENSE”, AFIRMOU ANTONIO CARLOS CELLES CORDEIRO, PRESIDENTE DO CONSELHO DE AGRONEGÓCIO DA FIRJAN.

EM VERSÃO PRELIMINAR, ESTE FOI O PRIMEIRO MÓDULO DO “DIAGNÓSTICO DO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE”. O PRÓXIMO PASSO É UMA ANÁLISE POR PARTE DOS MEMBROS DO CONSELHO, QUE VÃO ELEGER CINCO PRINCIPAIS CADEIAS PRODUTIVAS PARA SEREM ALVO DE UM SEGUNDO MÓDULO DO ESTUDO, COM O OBJETIVO DE SE APROFUNDAR NOS DADOS E DEFINIR AS PROPOSTAS DE POLÍTICAS PÚBLICAS E DESENVOLVIMENTISTAS EM PROL DO SETOR.

ÁREA PLANTADA E CANA-DE-AÇÚCAR

EM 2020, DO TOTAL DE 110,5 MIL HECTARES DE ÁREA PLANTADA NO RIO, 28,0% FICA EM CAMPOS E 20,5% EM SÃO FRANCISCO DE ITABAPOANA – OU SEJA, QUASE METADE DA ÁREA PLANTADA NO ESTADO (48,5%). O CULTIVO, PORÉM, TEVE REDUÇÃO NO ESTADO: DE 55,1% EM 1995 PARA 48,4% EM 2020. APESAR DISSO, A CANA-DE-AÇÚCAR AINDA É O PRINCIPAL PRODUTO AGRÍCOLA DO NORTE FLUMINENSE – REPRESENTANDO MAIS DE 83% DE TODA A CANA PRODUZIDA NO ESTADO. CONSIDERANDO O VALOR DE PRODUÇÃO, SÃO FRANCISCO TEM A MAIOR PARTICIPAÇÃO DO ESTADO – 23% DO TOTAL. O ÍNDICE, PORÉM, É POUCO REPRESENTATIVO NO TOTAL DO BRASIL, CORRESPONDENDO A APENAS 0,7% DO VALOR DE PRODUÇÃO DA CANA NO PAÍS.

ABACAXI EM SÃO FRANCISCO

JÁ EM TERMOS DE QUANTIDADE PRODUZIDA, O ABACAXI É O PRODUTO FLUMINENSE COM MAIS RELEVÂNCIA NACIONAL, REPRESENTANDO 8,8% DA PRODUÇÃO BRASILEIRA – ÍNDICE QUE, EMBORA BAIXO, FIGURA O ESTADO COMO A QUARTA UNIDADE DA FEDERAÇÃO COM MAIOR PARTICIPAÇÃO. APENAS SÃO FRANCISCO RESPONDE POR 89,2% DA PRODUÇÃO FLUMINENSE DO PRODUTO.

REBANHO BOVINO

EM TERMOS DE REBANHO BOVINO, OS MUNICÍPIOS MAIS RELEVANTES SÃO CAMPOS (10,5%), ITAPERUNA (5,0%), VALENÇA (4,0%) E MACAÉ (3,8%) – O ESTADO DO RIO, PORÉM, É APENAS O 15º DO PAÍS EM RELEVÂNCIA NESTA CRIAÇÃO. CAMPOS TAMBÉM É O QUARTO MUNICÍPIO EM REBANHO SUÍNO (7,4%) – E O ESTADO É O PENÚLTIMO DO PAÍS, A FRENTE APENAS DO AMAPÁ.

RIO, IMPORTADOR DE ALIMENTOS

UM EXEMPLO DA QUEDA DE PRODUÇÃO – E DO POTENCIAL – DO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE SE REVELA EM ITENS COMO OVOS E LEITE, DOS QUAIS O RIO SE TORNOU GRANDE “IMPORTADOR” DE OUTROS ESTADOS. EM 2020, A ESTIMATIVA DE CONSUMO ANUAL NO ESTADO FOI, RESPECTIVAMENTE, DE MAIS DE 4 BILHÕES DE UNIDADES E 2,8 BILHÕES DE LITROS – ENQUANTO A AGROINDÚSTRIA FLUMINENSE PRODUZIU 216 MILHÕES DE UNIDADES E 443 MILHÕES LITROS. OU SEJA, A PRODUÇÃO FLUMINENSE É CAPAZ DE ATENDER APENAS 5,4% DA DEMANDA INTERNA DE OVOS, E 15,4% DA DE LEITE – O QUE, POR OUTRO LADO, DEMONSTRA O TAMANHO DO POTENCIAL DE DESENVOLVIMENTO DA AGROINDÚSTRIA DO RIO.

CAFÉ: RIO TEM A SEXTA MAIOR PRODUTIVIDADE DO PAÍS

O ESTUDO TAMBÉM DESTACA OS PRODUTOS QUE MAIS TÊM VALOR DE PRODUÇÃO NO AGRONEGÓCIO FLUMINENSE, COMO O CAFÉ ARÁBICA: O ESTADO DO RIO ESTÁ ENTRE AS SEIS UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM MAIOR PRODUTIVIDADE, E ALCANÇOU A SEGUNDA MAIOR ÁREA PLANTADA DO ESTADO (11,2%) – ATRÁS APENAS DA CANA-DE-AÇÚCAR (48,4%). MAS O CAFÉ GERMINADO EM SOLO FLUMINENSE REPRESENTA APENAS 0,4% DO VALOR DE PRODUÇÃO AGRÍCOLA NACIONAL.

UM DOS EXEMPLOS DO POTENCIAL FLUMINENSE VEM DO NOROESTE, RESPONSÁVEL POR CERCA DE 80% DA PRODUÇÃO DE CAFÉ DO RIO, NUM TOTAL DE R$ 75,8 MILHÕES EM RECEITA ANUAL. SÓ O MUNICÍPIO DE VARRE-SAI RESPONDE POR 45% DO CULTIVO ESTADUAL, CONFORME A EMATER-RIO. PARA CHEGAR AO ATUAL PATAMAR, OS PRODUTORES LOCAIS INVESTIRAM EM GENÉTICA DE MUDAS, CONTROLE SANITÁRIO DAS LAVOURAS E FERTILIDADE DO SOLO.

PARA OS CONSELHEIROS QUE ACOMPANHARAM A APRESENTAÇÃO DO ESTUDO, ALGUNS DOS PRINCIPAIS ENTRAVES PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGROINDÚSTRIA SÃO A CONCORRÊNCIA TRIBUTÁRIA E A CADEIA DE INSUMOS, JÁ QUE O RIO É DEPENDENTE DE OUTROS ESTADOS – O QUE ENCARECE O CUSTEIO E DIMINUI A COMPETITIVIDADE DA AGROINDÚSTRIA FLUMINENSE.

SOBRE O ESTUDO.

A REUNIÃO DO CONSELHO, ONDE O ESTUDO FOI APRESENTADO, CONTOU COM REPRESENTANTES DE DIVERSAS INDÚSTRIAS FLUMINENSES, ALÉM DO VICE-PRESIDENTE DA FAERJ, MAURÍCIO CEZAR GOMES DE SALLES, DO PESQUISADOR DO CENTRO DE AGRONEGÓCIOS DA FGV, FELIPPE SERIGATI, DO GERENTE DE PROJETOS DA FGV AGRO, GIULIANO SENATORE, E DO DIRETOR DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DA FIRJAN, MÁRCIO FORTES.

O RELATÓRIO MAPEOU AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO AGRONEGÓCIO DO ESTADO ATRÁVES FONTES DE DADOS OFICIAIS E GRATUITAS. O MAPEAMENTO IDENTIFICOU AS CARACTERÍSTICAS MAIS ESTRUTURAIS DO SETOR PARA EVITAR POSSÍVEIS DISTORÇÕES CAUSADAS PELOS IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS PROVOCADOS PELA PANDEMIA. FORAM CONSIDERADAS INFORMAÇÕES DE SEIS PESQUISAS DO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICAS (IBGE): A PRODUÇÃO AGRÍCOLA MUNICIPAL (PAM), A PESQUISA DA PECUÁRIA MUNICIPAL (PPM), PESQUISA TRIMESTRAL DO LEITE, PRODUÇÃO DE OVOS DE GALINHA (POG), PESQUISA TRIMESTRAL DO ABATE DE ANIMAIS E PRODUÇÃO DA EXTRAÇÃO VEGETAL E DA SILVICULTURA (PEVS). A VERSÃO FINAL DO ESTUDO SERÁ DISPONIBILIZADA EM BREVE NO SITE DA FEDERAÇÃO.

 

 

 

 

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